Headbanger Metal Fest

Esse foi à primeira resenha que eu escrevi de um concerto de música (publicada originalmente num fórum de música no mês de Abril do ano de 2006):

Headbanger Metal Fest

Contrariando aquelas pessoas que insistem em afirmar que o cenário Heavy Metal do Rio de Janeiro está moribundo, cerca de 1.500 pessoas compareceram (números não oficiais, apenas uma estimativa minha) à casa de show Circo Voador para presenciar uma verdadeira noite de Heavy Metal.

Tendo como atrações os cariocas Reckoning, Kiko Loreiro (guitarrista do Angra) e Tribuzy. Mais os paulistanos do Dr. Sin.

O Show de Abertura

Infelizmente eu não pude presenciar o show da banda de abertura Reckoning, formada por Guilherme Sevens (Vocal), Carlos Saione (Guitarra), Felipe Bellard (guitarra), Paulo Doc Sands (baixo), Juninho Melo (bateria). Tendo pego apenas as últimas 2 músicas. Mas o que posso dizer sobre a banda é que as músicas funcionam bem ao vivo, também vale destacar a participação na última música do vocalista carioca Gus Monsanto que atualmente faz parte da banda francesa Adagio.

Kiko Loureiro

Um dos guitarristas de uma das mais importantes bandas (se não a mais importante) da história do Heavy Metal brasileiro mantém em paralelo às atividades da sua banda divulgando o álbum solo No Gravity. Quando os PAs começam a tocar a parte introdutória da música Pau-de-Arara as pessoas presentes (até então espalhadas pelo recinto) correm para ficarem mais perto do palco; logo no meio da fumaça surge o Guitar Hero e que também estava muito bem acompanhado pelo baixista Felipe Andreoli (também integrante do Angra) e pelo baterista Fernando Schaeffer (integrante da banda Pavilhão 9, ex-Korzus e Rodox).

Logo no início do show dava para perceber que o Kiko estava muito feliz de estar tocando, e apesar de ter fama de não ser simpático ele estava bastante comunicativo e sorridente. Um dos momentos mais engraçados do show foi quando ao introduzir a música Dillema ele perguntou que músicas as pessoas ainda não tinham escutado e queriam ouvir, e alguém na platéia gritou “Carry On” (provavelmente um dos maiores sucessos entre os fãs da banda Angra e um verdadeiro hino do Heavy Metal brasileiro) então Kiko respondeu: “quero pelo menos fazer um show na vida em que não tenha que tocar Carry On”. Também vale a pena comentar a excelente performance do baterista Fernando Schaeffer, que não só tocou de maneira ótima as músicas originalmente gravadas pelo baterista Mike Terrana (integrante da banda alemã Rage) como também fez um solo de bateria espetacular. Me atrevo a dizer que se tivesse sido ele o responsável pela gravação do álbum solo do Kiko as gravações teriam tido uma qualidade ainda maior do que já tem nas versões registradas no álbum.

E o que falar da performance do grande Kiko Loureiro? Simplesmente fantástica!!!! O sujeito além de tocar com perfeição improvisou vários solos, sem, no entanto, cair numa chatice ou masturbação instrumental. Muito pelo contrário, Kiko tem a capacidade de compor e de tocar músicas instrumentais que além de agradar músicos, também consegue agradar aqueles que só querem ouvir uma boa música.

Minhas únicas reclamações em relação ao show ficam por conta da pouca duração e pelo fato de Felipe Andreoli ter ficado apagado durante o show. Longe de ter tocado mal, mas quem conhece o trabalho dele com as bandas Angra e Karma sabe do que ele é capaz.

Tribuzy

Para quem nunca ouviu falar do vocalista Renato Tribuzy aqui vai um rápido resumo de sua biografia: Renato foi membro fundador da banda Thoten que lançou no ano de 2001, o álbum Beyond The Tomorrow, que teve uma excelente repercussão na mídia especializada brasileira e que colocou a banda carioca como uma das maiores promessas do Heavy Metal brasileiro. Mas, por divergências com os outros integrantes, e para se dedicarem a outros projetos Renato Tribuzy e Frank Schieber (guitarrista) saem da banda. Renato através de muito esforço conseguiu juntar vários músicos de peso para participar de seu primeiro álbum solo que contou com a participação de Roland Grapow (guitarrista do Masterplan, ex-Helloween, que faz os solos de guitarra nas faixas Absolution e Web Of Life), Bruce Dickinson (que canta junto com Tribuzy na faixa Beast In The Light), Mat Sinner (vocalista e baixista da banda Sinner e baixista da banda Primal Fear, que canta na faixa Nature Of Evil), Ralf Scheepers (vocalista da banda Primal Fear, ex-Gamma Ray que faz backing vocals na faixa Nature Of Evil), Michael Kiske (vocalista da banda/projeto Place Vendome, ex-Supared e Helloween, que canta na faixa Absolution), Roy Z (guitarrista da banda solo de Bruce Dickinson, que faz solo de guitarra na faixa Beast In The Light) e Dennis Ward (baixista da banda Pink Cream 69 e que gravou o baixo da faixa Nature Of Evil). Além desses ilustres convidados, o álbum Execution conta com as guitarras base gravadas pelo carioca Gustavo Silvera (integrante da banda Nordheim), solos de guitarra por Kiko Loureiro, baixo gravado por Chris Dale (baixista da banda solo do Bruce Dicknson), bateria gravada por Marcos Barzo (da banda Thoten) e teclados por Sidney Sohn (teclado e assim como Renato e Frank é um ex-Thoten). O resultado de todo esse esforço e de músicas da mais alta qualidade e uma boa divulgação, não poderia ser outro senão um grande sucesso. O álbum tem sido muito bem recebido pelos críticos e pelo público em países como Brasil, Argentina, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Japão etc…

E é aqui nesse ponto que nos encontramos. Vale ressaltar que nenhum dos que gravou o álbum Execution faz parte atualmente da banda Tribuzy. Atualmente a banda é completada além do Renato por Frank Scheiber (guitarra), Flavio Pascarillo (bateria), Ivan Guilhon (baixo), Sidney Sohn (teclado) e Eduardo Fernandez (guitarra). O detalhe interessante é que Flavio, Ivan e Eduardo são todos integrantes da banda Nordheim. Basicamente hoje, a banda Tribuzy é uma junção de ex-integrantes da banda Thoten e de integrantes da banda Nordheim.

Uma série de barulhos de tiros e explosões que saem dos PAs é um aviso de que o show vai começar e as pessoas começam a se aglomerar na frente do palco, então a banda manda de cara a música Execution. E logo deu para perceber o porque da banda em tão pouco tempo conseguir tanto prestígio para si: Renato simplesmente canta ao vivo de maneira igual ao que ele grava em estúdio, além de ter uma boa presença de palco, e os outros integrantes da banda não deixam em nada a desejar em relação aos músicos que gravaram o álbum. O destaque vai com certeza para o baixista Ivan, que tem uma performance de palco simplesmente insana.

É impressionante ver como grande parte do público já sabe de cor várias das músicas da banda. O show ia correndo de uma maneira extremamente positiva com uma platéia animada e participativa, e com uma banda afiada. Devo destacar um momento engraçado quando entre 2 músicas a banda teve que esperar porque Frank estava com dificuldade para conectar a nova guitarra que ele tinha pego, então Tribuzy falou com todo o duplo sentido: “algumas pessoas tem dificuldade de acertar o buraco no escuro”. Já para o final do show Kiko apareceu para tocar junto com a banda e com três guitarristas tocando juntos eles mandaram Nature Of Evil (cover da banda Sinner), e depois a música Bring Your Daughter To The Slaughter (cover do Iron Mainden) que fez todo o público berrar o refrão da música junto com o Tribuzy.

Foi com certeza um grande show, e já se pode afirmar que a banda Tribuzy é uma promessa que está se transformando em realidade, e que provavelmente irá se firmar como um dos nomes mais importantes da cena Metal brasileira.

Dr. Sin

O Power Trio de Hard Rock Dr. Sin, formado por Eduardo Ardanuy (guitarra), . Andria Busic (Vocal/Baixo) e Ivan Busic (Bateria/vocal), é provavelmente uma das bandas mais injustiçadas da história do rock brasileiro, mesmo tendo conseguido formar com o tempo um público fiel nunca conseguiu atingir um mesmo nível de popularidade de bandas como Sepultura, Angra, Shaaman ou Krisiun, mesmo que ao longo desses mais de 10 anos de carreira a banda tenha gravado excelentes álbuns e feito turnês com freqüência. Atualmente a banda está divulgando o álbum Listen To The Doctors, que tem uma proposta muito interessante, que é a de gravar versões de músicas de outras bandas que tenham a palavra “doctor” no nome.

E foi exatamente com um cover presente no álbum que a banda começou o show, trata-se de Calling Doctor Love (música originalmente gravada pela banda Kiss). Eu particularmente nem gosto da versão original da música (que me desculpem os fãs do Kiss), mas devo dizer que a versão feita pelo Dr. Sin ficou de arrasar e ainda teve uma participação excelente da platéia especialmente no refrão. Mas o show pegou fogo mesmo com a incrível performance da banda para a música seguinte, trata-se da pesada Fire, que além ter excelente vocal de Andria, também manteve a interação do publico, que cantou o refrão como se a vida deles dependesse disso.

E conforme o show prosseguiu o Dr. Sin fez questão de exteriorizar a felicidade deles de estarem tocando novamente no Rio de Janeiro, e que amam o público daqui. O público carioca por sua vez fez questão de demonstrar que o sentimento era recíproco.

Ao longo do show todos os integrantes da banda tiveram chance de mostrar seus talentos como instrumentistas, e a banda conseguiu manter intacta a fama de ser formada por músicos virtuosos, mas que não deixam de fazer músicas empolgantes. Também é merecedor de elogios o tecladista Rodrigo Simão, que não só cumpriu sua função como músico de apoio mas também demonstrou ser um tecladista fantástico.

Mas provavelmente o momento mais marcante do show foi quando Andria estava para apresentar o maior sucesso deles (a música Mulher, Futebol e Rock’n Roll), e começou a puxar assunto sobre futebol, perguntando sobre qual era o time das pessoas na platéia (basicamente as respostas eram Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo), mas depois ele começou a perguntar sobre possíveis torcedores na platéia de times paulistanos, como ele mesmo reparou que não ia ter qualquer apoio falou: “nem fudendo né”? E quando falou que o melhor time brasileiro é o Corinthians ele logo pediu para não ser morto por isso. Quando a música começou a rolar o que se viu foi a maior participação da platéia no evento (demonstrando que de fato essa música goza de uma popularidade enorme entre o público). Também vale destaque para uma brincadeira que Andria resolveu fazer no meio da música, na parte em que se canta “etaetaeta, brasileiro gosta é de boceta”, uma brincadeira e falou: “já fui chamado de machista 3 vezes hoje por causa dessa música, por isso vou dar uma chance para as mulheres: etaetaeta brasileira gosta de …”, mas acontece que a parte feminina deixou o cara na mão, então Andria falou: “rapazes, como essas mulheres não querem nada então vamos cantar: etaetaeta, brasileira gosta é de… DINHEIRO” (momento esse que teve uma alta participação masculina).

Com o fim da música teve fim uma excelente noite de Heavy Metal. Da performance do Dr. Sin só se teve a lamentar uma duração curta demais para tocarem tudo aquilo que o publico esperava. Acabaram por não tocar quase nada do novo álbum. Além da primeira música que abriu o show apenas Dr. Rock (cover do Motorhead) foi tocada. Mesmo assim foi uma grande performance.

Considerações finais sobre o evento

A iniciativa da loja Headbanger de ter produzido um show só com nomes nacionais é dos mais louváveis. Os próprios artistas participantes do evento gostaram de realçar o agradecimento deles a coragem e iniciativa da Headbanger. Também merece atenção o fato do público comparecer em peso mesmo tendo a concorrência do show da banda alemã Destruction que ira ocorrer aqui no Rio brevemente (ou já ocorreu, sei lá). E pelo fato do evento ocorrer numa véspera de feriado.

E que venha mais shows por aí!

Colaborou para esse review: Thiago Oldrini.

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Errata: o publico pagante do show foi de 750 pessoas segundo o review do site Whiplash. O que demonstra que eu sou péssimo para fazer estimativas de quantidade de pessoas. Para quem quiser ler o review (que dá informações complementares em relação ao show) colocado no Whiplash aqui vai o link.

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