Mais uma vez Pessoa

Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

[538]

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

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A Ética de José Serra‏

    Confira a relação dos numerosos casos de corrupção no governo do Estado de SP, durante as gestões de Geraldo Alckmin e José Serra, divulgados pela própria mídia que os apoia, com os links de notícias que comprovam as informações (vale a pena ver até o final). Por mais que quisessem, era impossível abafá-los: em alguns casos, houve até repercussão internacional como nos casos da Alstom e Siemens. 

    CORRUPÇÃO TUCANA

    A chamada “grande imprensa” não cumpre o seu papel de fiscalizadora do poder público estadual com o mesmo zelo que cumpre junto ao governo federal.

    De forma geral, as denúncias de corrupção são noticiadas pela imprensa de forma pulverizada, sem nenhum destaque e nenhuma continuidade na apuração dos fatos.

    Algumas pequenas reportagens se limitam a páginas internas dos cadernos de política dos principais jornais e revistas, sendo que o assunto é tratado de forma superficial e, invariavelmente, “some” da cobertura jornalística em poucos dias.

    Esta forma de cobertura jornalística, nitidamente, responde apenas a disputas, chantagens e intrigas de grupos políticos rivais alojados dentro do governo do estado (serristas e alckmistas).

    Por tudo isso, estaremos recapitulando alguns dos casos mais importantes de denúncias de corrupção no governo do Estado de SP relatados pela “grande imprensa” de forma pulverizada.

    Na maioria dos casos, uma investigação mais profunda ainda está pendente.

    Caso Alstom:

    – O grupo Alstom é uma empresa multinacional francesa que fornece trens, material ferroviário e equipamentos para sistemas de energia (turbinas);

    – O grupo Alstom tem 237 contratos com o governo paulista de 1989 a 2009, no valor total de R$ 10,6 bilhões.

    – O Ministério Público da Suíça descobriu o pagamento de propinas do grupo Alstom para funcionários públicos do Governo Paulista.

    – O percentual médio da propina era de 8% sobre o valor dos contratos. Isso representa algo em torno de R$ 848 milhões.

    – Esses pagamentos foram para “comprar” licitações e prolongar contratos de forma irregular, muitos por mais de 20 anos.

    – Principais envolvidos:

    Jorge Fagali Neto: ex- secretário de Transporte do governo paulista e irmão do atual presidente do METRÔ no governo Serra. O Ministério Público suíço bloqueou uma de suas contas no exterior no valor de US$ 7,5 milhões;

    Robson Marinho: ex- chefe da Casa Civil do governo Covas e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo;

    Luiz Carlos Frayze David: ex-presidente do METRÔ de SP, foi um dos acusados pelo acidente na linha 4 do Metrô. É conselheiro da DERSA, responsável pelo “rouboanel”. Na sua gestão no DER e no METRÔ, acumulou contratos julgados irregulares pelo Tribunal de Contas no valor de R$ 510 milhões;

    Benedito Dantas Chiarardia: ex-diretor da DERSA. Envolvido em vários contratos irregulares na CPTM e outras secretarias no valor de R$ 325 milhões;

    Tião Faria: ex- secretário particular de Mário Covas e ex-vereador pelo PSDB na cidade de São Paulo;

    José Luiz Alquéres: ex- presidente da Alstom. Preside atualmente a Light do Rio de Janeiro;

    José Sidnei Colombo Martini: presidente da CTEEP (Companhia Paulista de Transmissão de Energia Elétrica), antes e depois da privatização.

    10/08/2009
    MP quer bloquear novos bens de conselheiro do TCE-SP
    O Ministério Público de São Paulo planeja pedir extensão do bloqueio de bens do conselheiro Robson Marinho, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), para todo o território nacional. Na semana passada, a Justiça paulista ordenou o arresto de ?bens e importâncias em nome ou benefício de Marinho existentes na Suíça?. O bloqueio do patrimônio do conselheiro do TCE no Brasil será pedido tão logo a Suíça envie documentos relativos à conta em instituição financeira de Genebra na qual ele teria quantia superior a US$ 1 milhão – o que Marinho nega categoricamente
    http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac416359,0.htm

    19/11/2008
    MP abre 29 ações para apurar propina da Alstom em SP
    http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac280044,0.htm

    04/07/2008
    Caso Alstom: investigado fez doação a ex-secretário
    http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac200536,0.htm

    01/07/2008
    Offshore foi aberta a pedido da Alstom, afirma francês
    http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac198612,0.htm

    31/05/2008
    Serra descarta investigação em caso Alstom; e Alckmin se cala.
    O governador José Serra (PSDB) descartou ontem abrir uma investigação sobre supostas irregularidades envolvendo os contratos da multinacional francesa Alstom com o governo paulista. “

Serra disse não ter conhecimento dos documentos suíços. “Soube pelo jornal”, afirmou, em referência à reportagem de “O Estado de S. Paulo”.
Ele disse ainda que o governo vai ajudar nas investigações, se for solicitado. “Estamos à disposição das autoridades para os esclarecimentos que forem necessários”, afirmou ele
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u407372.shtml

26/06/2008
Suspeito no caso Alstom omite participação em empresa
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac196141,0.htm

20/06/2008
Propina iria para ”partido no poder”
Memorando de executivo da Alstom, de setembro de 1997, aponta também para TCE e Secretaria de Energia
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080620/not_imp192836,0.php

18/06/2008
MP investiga lobista ligado a ex-ministro no caso Alstom
O Ministério Público abriu nova frente na investigação sobre a suposta propina paga pela Alstom, multinacional francesa do ramo de energia e transporte, a integrantes do governo paulista e do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Trata-se do empresário José Amaro Pinto Ramos, por causa de sua grande proximidade com políticos do PSDB e seu trabalho de lobby a favor de empresas do setor energético e de transporte sobre trilhos, principalmente para estatais em todo o País. São os contratos da Alstom nessas áreas que estão sob análise de autoridades brasileiros e suíças
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac191667,0.htm

14/09/2008
Ex-executivo da Alstom teria confirmado pagamento de propina
Preso na Suíça, ex-executivo teria confirmado pagamento de propina a funcionários públicos no Brasil
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac241672,0.htm

10/09/2008
Investigação liga executivos da Alstom a propina
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac239242,0.htm

31/07/2008
Justiça investiga contrato do Metrô-SP com a Alstom
O maior contrato conquistado pela Alstom para fazer modernização de sistemas de sinalização e telecomunicações, assinado no dia 4 de julho com o Metrô de São Paulo, corre o risco de ser cancelado pela Justiça. A assinatura do documento de R$ 712,3 milhões ($280 milhões) ocorreu em meio a processo investigativo que envolve autoridades do Brasil, da Suíça e da França. A multinacional francesa é acusada de ter organizado esquema de corrupção para conseguir contratos públicos no Brasil entre 1995 e 2003.
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac215077,0.htm

04/07/2008
Alstom fecha contrato de 280 mi de euros com Metrô-SP
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac200831,0.htm

01/07/2008
Contrato, mesmo sem licitação, ficou válido por 26 anos
O contrato Gisel (Grupo Industrial para o Sistema da Eletropaulo) foi conquistado em 1983 pelo consórcio formado pela Alstom, Cegelec, ABB e Lorenzetti. Continuou a ser utilizado até 2006
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080701/not_imp198535,0.php

24/06/2008
Alstom girou US$ 31 mi em propina, diz auditoria
Parte desse dinheiro teria ido para integrantes do PSDB de São Paulo entre 1995 e 2003
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080624/not_imp194751,0.php

06/06/2008
Voto de Marinho beneficiou Alstom
Conselheiro do TCE derrubou parecer que considerava ilegal reajuste de contrato entre grupo francês e Eletropaulo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080606/not_imp184955,0.php

05/06/2008
Alstom: conselheiro do TCE aprovou aditivo em 3 meses
A análise favorável de um contrato entre a Eletropaulo e a Alstom, em 2001, ganhou fama de ser uma das mais rápidas e o processo mais fino da história do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo. Normalmente, um processo de contratação demora, no mínimo, cinco anos para tramitar. Mas esse contrato para refazer o seguro de equipamentos com dispensa de licitação recebeu parecer favorável do conselheiro Robson Marinho em menos de três meses. Na época, os valores eram de R$ 4,8 milhões – atualizados para hoje, praticamente dobram.
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac184348,0.htm

03/06/2008
Conselheiro do TCE foi à Copa da França bancado pela Alstom
Robson Marinho, ex-secretário do governo Covas, deu parecer no tribunal sobre contratos que envolviam empresa
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080603/not_imp182925,0.php

03/06/2008
Dono de empresa era secretário de tucano
Ex-secretário de Obras de Robson Marinho quando prefeito de São José dos Campos – em meados da década de 1980 -, Sabino Indelicato aparece nos documentos do Ministério Público da Suíça como dono de uma empresa que teria recebido parte do dinheiro das comissões pagas pelas empresas do grupo Alstom a brasileiros. Trata-se da Acqua Lux, Engenharia e Empreendimentos, localizada na cidade de Monteiro Lobato, de 3,7 mil habitantes, a 28 quilômetros de São José dos Campos
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080603/not_imp182929,0.php

31/05/2008
Offshore MCA concentrou 50% das propinas para tucanos, diz Suíça
Relatório indica que Alstom pagou comissão de 15% para obter contrato com Eletropaulo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080531/not_imp181642,0.php

31/05/2008
Lei francesa permitia comissões
Uma lei francesa vigente até julho de 2000 permitia que empresas pagassem comissões a funcionários públicos estrangeiros como benefício para a conquista de contratos. A legislação previa até dedução do Imposto de Renda. Em 1997, a Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), sugeriu que os países que a integram eliminassem essa prática.
Três anos depois, a França tornou ilegal o pagamento de suborno a autoridades estrangeiras
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080531/not_imp181619,0.php

31/05/2008
Esquema passava por empresas subcontratadas
Ex-funcionários contam caminho para pagamentos
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080531/not_imp181618,0.php

30/05/2008
Alstom teria pago propina a tucanos usando offshores
Seis empresas offshore, duas das quais controladas por brasileiros, teriam sido utilizadas pela multinacional francesa Alstom para supostamente repassar propinas a autoridades e políticos paulistas entre 1998 e 2001. Os pagamentos seriam feitos com base em trabalhos de consultoria de fachada.
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac181222,0.htm

22/05/2008
Depoimentos reforçam elo entre caso Alstom e Brasil
A Justiça da Suíça tomou novos depoimentos que reforçaram evidências de um elo entre as suspeitas de corrupção da Alstom e eventuais esquemas de pagamentos de propinas no Brasil. Nos últimos dias, o Ministério Público em Berna ouviu uma série de pessoas que confirmaram a existência do esquema e decidiu pedir oficialmente colaboração da Justiça brasileira para investigar o caso e ampliar a devassa nos contratos da empresa francesa
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac176595,0.htm

19/05/2008
Caso Alstom entra no jogo de batalhas políticas do País, diz WSJ
Jornal diz que investigação envolvendo a empresa francesa tornou-se o foco das campanhas eleitorais de 2008
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac174989,0.htm

16/05/2008
MPF em SP também vai investigar caso Alstom
O caso Alstom também será alvo de investigação no Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo. O objetivo do procurador do MPF Rodrigo de Grandis, designado para este trabalho, é saber se a empresa de engenharia francesa cometeu os crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro no Brasil. A Alstom já vem sendo alvo de investigação por parte de autoridades da França e Suíça e do Ministério Público Estadual de São Paulo, por suspeição de pagamento de propina para vencer licitações de compra de equipamentos para obras de expansão do Metrô paulista nos anos de 1995 a 2003.
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac173938,0.htm

16/05/2008
Alstom vira parte em inquérito na Europa que apura propina
Empresa diz que entrada na investigação das denúncias permite ao grupo francês ter acesso à documentação
http://www.estadao.com.br/economia/not_eco173785,0.htm

06/05/2008
Suíça investiga propina da Alstom em contratos no Brasil
Gigante de engenharia francesa teria pago US$ 6,8 milhões em propina para obter contrato em metrô de SP
http://www.estadao.com.br/economia/not_eco168033,0.htm

Caso Siemens

– A Siemens é uma empresa multinacional alemã que, entre outras atividades, fabrica e reforma trens e outros equipamentos.

– Esta empresa firmou 122 contratos com o governo do Estado de SP, no valor total de R$ 3 bilhões, durante o período 1995 a 2003.

– Neste período, a Siemens também pagou propinas aos governos Covas e Alckmin, atuando junto com o grupo Alstom.

– O principal contrato se refere a linha da CPTM entre Capão Redondo e Largo Treze, construída entre 2001 e 2005. O valor da obra foi de quase R$ 1 bilhão, recebido pelo consórcio formado pela Alstom e pela Siemens. O valor da propina paga chegou a R$ 80 milhões (8% do valor da obra). O MP Estadual e Federal possui cópia dos contratos entre as operadoras no Uruguai que intermediavam o pagamento da propina para os gestores públicos.

– Estes pagamentos foram realizados através das operadoras Leraway Consulting S/A (Procint projetos e consultoria internacional) e Gantown Consulting S/A (Constech Assessoria e Consultoria Internacional Ltda).

– Essas empresas doaram para a campanha de Alckmin e acompanharam a licitação da Parceria Público Privada da Linha 4 do Metrô de SP.

Ministério Público investiga contratos da Siemens no País
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081218/not_imp295724,0.php

Promotoria apura contratos com governo de SP
http://txt4.jt.com.br/editorias/2008/12/18/pol-1.94.9.20081218.1.1.xml

Alemanha pode colaborar com apuração sobre Siemens
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL927515-5601,00-ALEMANHA+PODE+COLABORAR+COM+APURACAO+SOBRE+SIEMENS.html

Siemens nega qualquer ação de suborno no País
http://txt4.jt.com.br/editorias/2008/12/18/pol-1.94.9.20081218.2.1.xml

Bloqueando as investigações do Ministério Público

(Caso CDHU)
De 1998 a 2009, mais de 3 mil contratos julgados irregulares pelo TCE foram arquivados na Assembléia Legislativa pela base governista, não sendo enviados ao Ministério Público do Estado, que deveria processar os envolvidos e recuperar os recursos para os cofres públicos.

A maior parte destes recursos já não pode mais ser recuperada devido ao “engavetamento” das apurações. O valor total destes contratos irregulares chega a R$ 13,5 bilhões. Grande parte destes contratos irregulares foram firmados através da CDHU, do DER e da DERSA, empresas estaduais.

Diversas empresas privadas que firmaram contratos irregulares com o Estado financiaram as campanhas de Geraldo Alckmin ao governo paulista e a presidência de Republica. Estes contratos chegavam a aproximadamente R$ 800 milhões.

Na CDHU, especialmente nas gestões Goro Hama, Emanuel Fernandes e Barjas Negri, encontramos 631 contratos irregulares, no valor total de R$ 5,6 bilhões. No DER, são 274 contratos irregulares, no valor total de R$ 2,4 bilhões. No DERSA, foram 67 contratos, no valor de R$ 1,65 bilhão. No Metrô, foram 113 contratos irregulares no valor total de R$ 1,23 bilhão.

Justiça determina quebra de sigilo fiscal de filho de Covas
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u464312.shtml

Ex-presidente da CDHU é condenado por enriquecimento ilícito.
http://www.conjur.com.br/2006-mar-22/goro_hama_condenado_enriquecimento_ilicito

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u40588.shtml

Caso Operação Castelo de Areia (caixa 2 tucano)

– A Polícia Federal, através da operação Castelo de Areia, descobriu um esquema de pagamento de propinas a partidos, governos e parlamentares para a aprovação e execução de obras públicas, privatizações e outras operações, principalmente no Estado de São Paulo. O esquema seria gerenciado pela construtora Camargo Correia.

– As planilhas encontradas na construtora revelam que, no auge das privatizações, entre 1995 a 1998, a Camargo Corrêa pagou a políticos dos governos FHC, Covas e Maluf a quantia de R$ 538 milhões.

– As planilhas da operação Castelo de Areia revelam também os seguintes pagamentos de propinas:

– Para Delson José Amador, diretor de engenharia da CESP, que recebeu R$ 2,8 milhões (aproximadamente R$ 7,8 milhões em valores atualizados) entre 1997 e 1998. Atualmente ele é diretor presidente da DERSA e do DER, sendo ‘responsável’ por investimentos de mais R$ 11 bilhões (entre 2009 e 2010)

– Para Paulo Vieira de Souza (Paulo Preto), responsável pela construção do Rodoanel (trecho sul), que recebeu mais de R$ 2 milhões em propinas. Reportagens da imprensa revelam que ele teria ainda desviado mais de R$ 4 milhões da campanha de Serra, sendo também apresentado como pessoa de confiança do candidato ao senado pelo PSDB, Aloysio Nunes.

– Para Walter Feldman, deputado federal pelo PSDB, recebeu R$ 120 mil.

– Para Arnaldo Madeira, secretario da Casa Civil do governo Alckmin e Deputado Federal pelo PSDB, recebeu R$ 215 mil, entre março e abril de 2006.

– Para “Palácio dos Bandeirantes” aparece citação de R$ 45 mil.

– Para Sergio Correia Brasil, diretor do Metrô, recebeu pelo menos R$ 170 mil.

– Para Luiz Carlos Frayze David, sendo ao mesmo tampo réu no processo que pede o ressarcimento de R$ 240 milhões aos cofres públicos, como indenização pela cratera aberta no Metrô de SP em 2007.

Época – 09/12/2009
Castelo de Areia atinge Arruda, secretário de Kassab, dois vereadores paulistanos e um deputado federal
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI109592-15223,00-CASTELO+DE+AREIA+ATINGE+ARRUDA+E+SECRETARIO+DE+KASSAB.html

Saiba mais sobre a Operação Castelo de Areia:

» Filho de ministro de TCU foi intermediário de doações da Camargo Corrêa
»Grampo cita doação de R$ 100 mil a Mendonça Filho (DEM-PE). PMDB teria recebido R$ 300 mil “por fora”
»Camargo Corrêa ajudou Agripino Maia
»Partidos e Fiesp nos papéis da Camargo Corrêa
»Lavagem, doações ilegais a políticos, superfaturamento…
»Um castelo de areia movediça?

Época – 20/12/2009
Os campeões das planilhas (das propinas pagas pela Camargo Corrêa)
Na lista apreendida pela PF na Camargo Corrêa, há dois nomes, entre vários outros citados, que aparecem ligados aos valores mais altos no período de 1995 a 1998.
Benedito Carraro, diretor de planejamento e engenharia da Eletrobrás entre 1995 e 1998, na gestão FHC, ocupa hoje a presidência da Companhia Energética de Brasília (CEB), por nomeação do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM). No somatório das planilhas, Benedito Carraro teria recebido US$ 2,5 milhões, que correspondem a R$ 3,2 milhões;
Delson José Amador, diretor de engenharia e planejamento da Cesp entre 1997 e 1999, ex-secretário de Subprefeituras no Município de São Paulo durante as administrações de José Serra e Gilberto Kassab, acumula atualmente a presidência do Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) e a superintendência do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em São Paulo, por indicação do governador José Serra, teria recebido US$ 2,3 milhões (R$ 2,8 milhões.)
Clique aqui para conhecer mais detalhes desta reportagem.
Veja Online – 14/05/2010 – Sexta-feira
O ‘homem-bomba’ do tucano Aloysio Nunes
Obs: Com o intutio de minimizar os efeitos da reportagem da revista Época, que circularia no dia seguinte, sábado, 15/5, Serra avalizou a publicação do sítio da Veja, funcionando como uma vacina em relação à publicação da revista Época.
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/homem-bomba-tucano-aloysio-nunes-559591.shtml

Revista Época – 15/05/2010
Apurações da Polícia Federal, constantes no Relatório Final sobre a Operação Castelo de Areia, apontam indícios de pagamentos de propinas pela Camargo Corrêa para tucanos de alta plumagem e fiéis escudeiros de Serra e Alckmin.
Entre vários funcionários dos governos do PSDB em São Paulo que receberam propina, são mencionados nesta reportagem (abaixo reproduzida), as seguintes pessoas:

Arnaldo Madeira, deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que foi chefe da Casa Civil do governo de São Paulo durante a gestão de Geraldo Alckmin;
Luiz Carlos Frayze David, ex-presidente do Metrô de SP;
Paulo Vieira de Souza, ou simplesmente “Paulo Preto, diretor do Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), o órgão responsável pelo Rodoanel, exonerado no início de abril deste ano.
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI140500-15223,00-ECOS+DO+BURACO+TUCANO.html

Jornal da Record – 21/05/2010
Construtora Camargo Corrêa é acusada de pagar propina a autoridades que se disfarçavam com nomes de bichos
Nomes de bichos constam no relatório final de uma operação da polícia, que investigava a remessa ilegal de dólares para o exterior. E acabou em uma das maiores empreiteiras do Brasil. Os nomes de bichos eram usados para esconder a verdadeira identidade de autoridades acusadas de receber propina para favorecer os negócios da empreiteira
http://noticias.r7.com/videos/construtora-e-acusada-de-pagar-propina-a-autoridades-que-se-disfarcavam-com-nomes-de-bichos/idmedia/f1fcf5f2ad3bf25695486b48a3077259.html

http://www.youtube.com/watch?v=YlCEtw8qnSc&feature=player_embedded

Demitido o responsável pela obra do Rodoanel
http://blogs.estadao.com.br/eduardo-reina/2010/04/16/demitido-responsavel-pela-obra-do-rodoanel/

Jornal da Record – 22/05/2010
2ª reportagem – Operação Castelo de Areia revela como funcionava o esquema de doações para políticos
Após mostrar como a operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, chegou ao caixa dois da construtora Camargo Corrêa. O Jornal da Record revela como funcionava o esquema de doações da construtora para campanhas políticas.
http://noticias.r7.com/videos/operacao-castelo-de-areia-revela-como-funcionava-o-esquema-de-doacoes-para-politicos/idmedia/392a9c7c2cb4d1d1199b2dc8acaab799.html

IstoÉ – 13/08/2010
Um tucano bom de bico levou, pelo menos, R$ 4 milhões do caixa 2 do PSDB
Quem é e como agia o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários em nome do partido e não entregá-lo para o caixa da campanha.
Até abril deste ano, Paulo Preto ocupou posição estratégica na administração tucana do Estado de São Paulo. Ele atuou como diretor de engenharia da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), estatal paulista responsável por algumas das principais obras viárias do País, entre elas o Rodoanel, empreendimento de mais de R$ 5 bilhões, e a ampliação da marginal Tietê, orçada em R$ 1,5 bilhão – ambas verdadeiros cartões-postais das campanhas do partido. No caso do Rodoanel, segundo um dirigente do PSDB de São Paulo, cabia a Paulo Preto fazer o pagamento às empreiteiras, bem como coordenar as medições das obras, o que, por força de contrato, determina quanto a ser pago às construtoras e quando.
O eventual prejuízo provocado por Paulo Preto pode não se resumir ao caixa da campanha. Um dos desafios imediatos da cúpula tucana é evitar que haja também uma debandada de aliados políticos, que pressionam o comando da campanha em busca de recursos para candidaturas regionais e proporcionais. Além disso, é preciso reconquistar a confiança de eventuais doadores, que se tornarão mais reticentes diante dos arrecadadores do partido.
Leia a íntegra da matéria e a entrevista exclusiva de Paulo Preto à IstoÉ
http://www.istoe.com.br/reportagens/95231_UM+TUCANO+BOM+DE+BICO

Caso Nossa Caixa

– Durante o governo Alckmin (entre 2003 e 2005), o banco estadual Nossa Caixa efetuou gastos com agências de publicidade no valor de R$ 45 milhões sem que os contratos estivessem assinados.Em valores atualizados, estas despesas sem contrato chegam a R$ 90 milhões.

– Mais ainda, denúncias apontaram que deputados da base aliada do governo tucano teriam sido beneficiados na distribuição de recursos para publicidade da Nossa Caixa.

– O Ministério Público Paulista apresentou denúncia e restituição aos cofres públicos de R$ 148 milhões (através de ação distribuída à 12ª. Vara da Fazenda Pública) .

– Principais envolvidos:

Roger Ferreira: assessor especial de Comunicação do governo Alckmin, atuou nas equipes de marketing das campanhas presidenciais de Fernando Henrique Cardoso e José Serra, chefe da Assessoria de Comunicação da Caixa Econômica Federal, entre 1999 e 2002, assessor de comunicação na Nossa Caixa.

Valdery Frota de Albuquerque: presidente do banco Nossa Caixa à época dos fatos;

Waldin Rosa de Lima: assessor informal da presidência;

Carlos Eduardo da Silva Monteiro: ex-diretor jurídico e ex-presidente;

Jaime de Castro Junior: ex-gerente de marketing do banco;

Empresas de propaganda: Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda., Colucci & Associados Propaganda Ltda.

Banco estatal beneficiou aliados de Alckmin
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u76962.shtml

Sob Alckmin, Nossa Caixa abrigou suspeitos de fraude.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u77772.shtml

Promotoria move ação contra 4 ex-diretores da Nossa Caixa
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u546490.shtml
Demitido em escândalo da Nossa Caixa volta ao governo de SP
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u90983.shtml

Caso UNIEMP

– O Instituto Uniemp é uma ONG formada pelo ex-reitor da Unicamp Carlos Vogt, atual secretário estadual de Ensino Superior no governo Serra. Essa entidade é mais uma entre vários institutos e fundações que se valem do renome da universidade pública para receber enorme quantidade de recursos públicos.

– De 2001 a 2006 essa entidade firmou diversos contratos sem licitação com o Governo do Estado de SP, no valor total de R$ 90 milhões de reais (valor corrigido) . Quase todas as secretárias de governo contrataram a UNIEMP por dispensa de licitação.

– A Uniemp é o que poderíamos chamar de “superong”, realizando desde serviços de “clipping” para a imprensa oficial do estado até o gerenciamento da construção da fábrica da FURP em Américo Brasiliense.

– O Ministério Público de SP está investigando esta avalanche de contratos com dispensa de licitação.

– Principais envolvidos:

Sérgio Kobayashi: ex-diretor da Imprensa Oficial do Estado e da FDE (Fundação Estadual para o Desenvolvimento da Educação), no governo Alckmin. Quando secretário de comunicação no governo Serra na prefeitura de SP, contratou o Instituto UNIMEP por R$ 1,5 milhão. Sérgio Kobayashi, enquanto presidente da FDE, enviou carta ao presidente desta ONG chamando-o de “meu amigo”. Sergio Kobayashi tem ONG própria – o IPK/Instituto Paulo Kobayashi -, cuja inauguração teve a participação do então prefeito José Serra. Esta ONG recebeu mais de R$ 400 mil do governo do Estado e da Prefeitura de SP nos últimos dois anos. Sérgio Kobayashi torna-se, posteriormente, um dos coordenadores da campanha de Kassab e Serra. Esta situação revela que o governo de SP tornou-se, sob a égide do PSDB, um governo de amigos.

Berenice Giannella: ex-presidente da Funap e atual dirigente da Febem/CASA, realizando contratos sem licitação com a ONG.

Waldir Catanzaro: ex-dirigente do DERSA e diretor financeiro

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Transição e Delírios

Um dia, Mais Novo se encaminhou para o Oráculo com uma dúvida:

Mais Novo – Em busca de uma teoria universal do valor. Sugestões?

Pós-Moderno – Teoria universal do valor? Bom, o valor é universal, mas abstratamente. Essa é a teoria do Marx, não serve?

Mais Novo – Pra mim, cada vez mais, sim. É a ela que pretendo me dedicar. Mas é difícil quando todos desacreditam! (risos) Galera do(s estudos de) Pré-Capitalismo não é mole.

Pós-Moderno – Bom, tende a se concretizar como universal, mas somente como determinação abstrata. Você diz uma teoria do valor que valha para qualquer tempo? Bom, se não se produz mercadoria, fica difícil ter valor, né? E somente produzir mercadoria não quer dizer que o valor dela é já valor propriamente dito. Mas é, de alguma forma, valor.

Mais Novo – Fica difícil? Por quê? E o problema não é esse. Se produz mercadoria, se não é “propriamente dito”, é de que “forma”? O que forma o preço das mercadorias no Pré-Capitalismo? “Tradição” não explica nada. É tipo “deus” pra falar do que não conhecemos (ainda).

Perro Loco Pachá – Tradição explica sim. Me lembra de te passar um artigo do Sahlins, bastante empírico, sobre essa questão. É, claro, não é só “tradição”, mas o conjunto das relações sociais específicas daquele contexto.

Mais Novo – “Tradição” constata, mas não explica. Como explicaria? Que influencie assim como oferta e demanda influenciam tudo bem.. E o que é o “conjunto das relações sociais de um determinado contexto”? No Capitalismo também é isso.

Perro Loco Pachá – Não dá para discutir isso aqui, mas me lembra de te passar o artigo. As “situações iniciais” também são discutidas nele.

Mais Novo – Beleza. Mas “o conjunto das relações sociais de um determinado contexto” é inacessível em sua totalidade de determinações.

Perro Loco Pachá – Até você com “carência de Deus”?

Mais Novo – Por quê? Não conseguiríamos explicar nada por aí. E algo determina o preço de forma que ele seja X, 2X ou 10X. Mas nunca 1000000X.

Perro Loco Pachá – Essa totalidade aí só é acessível para Ele.

Mais Novo – Eu sei. É justamente por isso que buscá-la não é o caminho pra descobrir o que determina o preço das mercadorias no Pré-Capitalismo! (risos sarcásticos) E nem nada. Senão não saberíamos nada, nunca.

Perro Loco Pachá – Acho que ajuda pensar que a “tradição” é sinônima de práticas pretéritas. Não só daquela troca específica e imediata. Mas a totalidade é sempre um horizonte. E realmente não dá para discutir isso aqui.

Mais Novo – Pretéritas quanto? E o que explica as práticas pretéritas? Fala sobre isso?

Perro Loco Pachá – Na sexta. Pode cobrar.

Mais Novo – Se a anatomia do homem é uma chave para a anatomia do macaco talvez devêssemos tentar botar a chave na fechadura e girar.

Perro Loco Pachá – (Gargalhadas)

Pós-Moderno – Só trocas recorrentes, num grau já algo expressivo de produção para o mercado, gera médias concretas de trabalho necessário.

Mais Novo – E como se mede isso? Pela quantidade da riqueza social que circula como mercadoria? A partir de quanto o valor determina?

Pós-Moderno – Quão menor for o grau de mercantilização, maior a casualidade na determinação do valor.

Mais Novo – E mesmo essa casualidade tem um lastro no processo produtivo… é uma casualidade não tão casual. Mas entendi o que você disse.

Pós-Moderno – Não tem como medir isso a priori, mas até o capitalismo não se pode falar de uma determinação essencial pelo tempo de trabalho.

Mais Novo – É por isso que às vezes as diferenças entre os processos de circulação de mercadorias no Capitalismo e no Pré-Capitalismo me parecem muito arbitrários.

Pós-Moderno – Mas considerando que pré-capitalismo e capitalismo são coisas absolutamente distintas, é foda comparar um mesmo processo em ambos.

Mais Novo – Mas também é foda não perceber que é um mesmo processo localizado em outro contexto histórico, com outras determinações. Mas o mesmo. Digo, é possível, abstratamente, abordar o processo e explicá-lo. E no fim é isso que importa. Não o que pensavam que fosse.

Pós-Moderno – Não existe pré-capitalismo em si, somente em contraposição ao capitalismo, que esse põe para essas realidades muito diferentes.

Mais Novo – Mas quando assumimos Capitalismo, já admitimos a inauguração histórica que esse momento traz na história da humanidade. Algo o diferencia.

Pós-Moderno – Quão o mesmo são, e a partir de que parâmetro? Marx bem fala que as coisas só se tornam as mesmas perdendo o que tem de determinante.

Fräulein – É muito bizarra essa idéia de um conceito que só atinge sua determinação última quando se torna efetivamente dominante. Sempre fica um “tá, mas antes era o que mesmo?” Uma abstração concreta? Eu meio que só entendo abstratamente

Mais Novo – De TODO o resto. Por TODO o resto se compreende TODO mesmo, sem exceção.

Pós-Moderno – Exato, e algo que o capitalismo inaugura na história é a universalização de uma mesma lógica simples o suficiente para servir de parâmetro.

Mais Novo – São o mesmo a partir do parâmetro que nos é possível estabelecer: nosso próprio tempo. Mas não são o MESMO. São o mesmo na mesma medida em que “exploração” é a mesma coisa, por exemplo.

Pós-Moderno – É isso mesmo, conquanto na comparação se revele que o parâmetro é o capitalismo.

Mais Novo – Exatamente. É justamente nessa medida. Ainda assim guarda algo de essencial para que continue sendo chamada pelo mesmo nome.

Fräulein – São o mesmo na medida em que o Capitalismo é tão novo que qualquer coisa que tenha vindo antes não pode nem sequer parecer muito diferente.

Mais Novo – E uma outra questão entra: não há nada que nos aproxime deles? Ou dos caras da pré-história? O que nos torna tão humanos quanto eles?

Pós-Moderno – Antes de algo poder ser perfeitamente determinável por si, está em outra coisa, não é ainda autônoma.

Mais Novo – Mas isso aí é impossível de demonstrar. Se for verdade, é impossível de provar. E não pode ser mentira. Ou melhor, até pode. Mas o contra-argumento pode ser exatamente o “é tão diferente que você está igualando”.

Pós-Moderno – Mas a questão aí é de que tipo de liame se está buscando. Pode-se dizer que em si não se tem nada propriamente em comum.

Mais Novo – Pode? Pra mim é difícil lidar com isso.

Pós-Moderno – É em relação ao capitalismo, na medida em que nega a organização comunitária, que temos algo em comum, se tentamos recuperar esta.

Fräulein – É o que o Pós-Moderno falou (se é o que entendi): a humanidade antes de se auto-determinar está em outra coisa (biologia, p.e.). Ela não existe propriamente, certo? Ainda que exista.

Pós-Moderno – É. Existe como algo que se diz sem uma realidade de fato concreta. “Humanidade” antes que os homens ajam como uma só humanidade.

Mais Novo – Daqui pra frente eu consigo entender perfeitamente o sentido disso. Não entendo é por que isso não vale daqui pra trás. OK, é muito sui generis, mas da maneira como costumam colocá-lo parece que ele é o processo dos processos. O definitivo, a perfeição. A super-historicização do Capitalismo é tão paralisante quanto sua a-historicização completa. Não dá pra rolar um meio-termo?

Pós-Moderno – Já é questão epistemológica, mas tem a ver com a busca por um fundamento propriamente histórico para os conceitos. Afinal de contas, o problema da dialética é o de como o conceito se faz. No Marx, de como se faz a partir da história.

Mais Novo – Mas se o fundamento propriamente histórico do conceito é upervalorizado deixa de ser conceito e vira nome de uma coisa. Não?

Pós-Moderno – Não creio que seja uma boa alternativa. O importante é entender que história o capitalismo faz e qual deixa de fazer. Depende do que você pensa como sendo a história. Se é só a relativização de um universal no tempo, então é só um nome mesmo. Mas se você pensa a história como um processo efetivo, como se originando e se produzindo, deixa de ser relativização vazia.

Mais Novo – Mas se vivemos sob o Capitalismo, como podemos ver qual história ele deixa de fazer? E se podemos, podemos fazê-la também, então.

Pós-Moderno – Porque têm relações bem determinadas com esses “nomes”, como realidades históricas.

Mais Novo – E como se decide quais relações são bem determinadas por esses nomes e quais não podem ser?

Pós-Moderno – Não, justamente podemos antevê-la, mas não realizá-la. Uma história comunista é impossível no capitalismo. Podemos fazer uma historiografia comunista, ou marxista, mas não uma história. Por história leia-se o mundo. Pelo estudo dialético da história concreta. É o projeto do Marx.

Mais Novo – Estava falando de historiografia (risos sarcásticos).

Pós-Moderno – Eu reparei (risos sarcásticos).

Mais Novo – O estudo dialético da história concreta não me convenceu de que não é possível a teoria do valor de Marx explicar sociedades não-Capitalistas. Mas convenceu todo mundo e até hoje não entendi o que eu ainda não entendi.

Pós-Moderno – Porque o valor só existe concretamente quando o sentido da produção em geral é já a da produção para o mercado.

Mais Novo – Mas qual o problema de ele já existir abstratamente desde que o homem transforma a natureza, se relaciona com ela e com os outros? O que digo é: cada momento histórico, inclusive o nosso, é “só” a forma concreta de se manifestar algo que existe desde sempre.

Pós-Moderno – Porque se é para ficar no abstrato, Hegel é melhor que Marx.

Mais Novo – Esse “algo” seria o trabalho, ou sei lá o quê. Alguém diz isso? Quem?

Pós-Moderno – Não! Se é mera forma de manifestação, então as coisas são, em essência, a-históricas. Imutáveis, em essência, portanto.

Sub Urbano – Mais Novo, não entendi seu último comentário. Penso como a concretização e efetivação de tendências anteriores, possibilidades, antepostos no próprio processo de análise, mas dispostos na concretização e materialidade histórica, produzidos. Não existem portanto desde sempre. Exteriorizações puras e simples de biologismos automáticos não são históricas mesmo. Abstraídas, muito mais que abstratas.

Pós-Moderno – Nada deve parecer natural, nada deve ser impossível de mudar (risos sarcásticos). Isso é pensar a revolução.

Mais Novo – Não. Porque essa “mera” forma de manifestação determina também as possibilidades e os caminhos a seguir.

Sub Urbano – Relacionar-se com a natureza é brutalmente distinto se no pré-capitalismo ou no capitalismo. O primeiro só adquire homogeneidade quando é abusiva e necessariamente contraposto ao Capitalismo. Até para evitar as concretizações a abusos de universalismos antes da própria universalidade.

Mais Novo – Mas eu não disse nada diferente disso. Mas a mudança, as possibilidades de mudança, são mudanças na forma.

Pós-Moderno – Com freios pré-determinados. Limites pré-determinados e ambições pré-determinadas. E o que é a natureza? Em si, o que unifica a natureza de maneira a chamarmos “natureza”? Nada.

Sub Urbano – Mudanças dignas de serem assim chamadas nunca são apenas na forma.

Mais Novo – Por que não? (A pergunta não é retórica).

Pós-Moderno – Só num mundo de essências estanques. De resto, as mudanças são de forma e conteúdo. Essas essências são sempre postuladas. São um ranço de dogmatismo, no mínimo pré-kantiano. E, mais importante, porque o horizonte da revolução não pode ser rebaixado logo de início. Ampla, geral e irrestrita.

Sub Urbano – Natureza só se torna digna do próprio conceito quando a relação do homem com objetos que são encarados como externos a si (o que já é algo relacionalmente definido) se universalizam a ponto de tomá-la também enquanto totalidade, universalidade que o conceito exige. Não é a priori ou “ontologicamente anterior” como um materialismo tosco sugeriria. Se abstrairmos seu caráter material, histórico a tornamos tão essencializada (e estupramos a História) quanto em qualquer outra forma mais intelectualmente primeva.

Mais Novo – Sim. Mas a partir do momento que isso ocorre, não podemos olhar pra trás de outra forma, já sabendo disso?

Sub Urbano – Acho interessante um balanço de perdas e ganhos para um determinado objetivo disso. No geral, tendo a não achar uma boa não…

Mais Novo – É que parece não ter sentido fazer o que fazemos se é tão diferente do mundo que vivemos. Essa separação total é foda. A anatomia do homem é uma chave para a anatomia do macaco. Mas se o contrário valer também, algo tem de nos ligar a eles.

Debatedores: Gabriel Melo, Ivan Martins, Mariana Bedran, Paulo Pachá e Renato Silva.

Edição: Artur Henriques

Obs.: Piadas internas no texto! Cuidado para não achar que entendeu coisas que não dão para serem entendidas por pessoas de fora do Oráculo!

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Garota Triste em Fuga

“Felicidade é um agora que
não tem pressa nenhuma”
Adriana Falcão

Garota Triste em Fuga
 

No passado a Garota Triste já tinha o medo; logo depois daquelas memórias que só nos aparecem como imagens congeladas (fragmentos de um passado que não conseguimos desvendar) ela já podia identificar o medo. Muito antes de ela ter as certezas que carrega hoje (o amor como fardo, a luxurienta cidade como a cura, o esquecimento do passado como forma de viver o presente) ela já carregava o medo. Medo por nunca ter entendido o que era o tal do amor que ela tanto gostava de ler nos livros, ver nos filmes e escutar nas músicas; medo por desde cedo se sentir deslocada da realidade onde vivia e nunca se sentir verdadeiramente acolhida.

Ela buscou por um antídoto, e quando se é ainda muito novo (esse tempo, hoje, já passou para a Garota Triste, mas na época ela ainda dispunha dele) podemos nos dar ao luxo de buscar caminhos longos e demorados. E dessa forma a Garota Triste meteu o pé na estrada. Ela já passou por quatro cidades anteriores ao seu atual endereço. Em cada uma delas ela encontrou o medo que existe dentro de si. Mas sempre tratou de mascarar isso com alguma coisa: na primeira era apenas onde nascera e fora criada (acaso do destino), na segunda era apenas para cursar a faculdade, na terceira as pessoas eram de mentalidade provinciana (sem contar que era terra estrangeira, não que antes disso a Garota Triste já não se sentisse como vivendo em terras estrangeiras), e na quarta ela decretou que as pessoas eram muito frias, nunca conseguia se relacionar com os outros. Agora ela reside numa cidade magnífica (ou pelo menos assim ela a enxerga); um lugar onde as pessoas são calorosas e onde ela pode despistar os demônios do passado.

Ah, se ela ao menos suspeitasse, se ela ao menos entendesse; a Garota Triste dispara contra o que viu e acerta o que não viu. Essa cidade magnífica tem de fato seus atrativos (mas não teriam também as anteriores?); o que faz com que ela esteja mais feliz agora (ainda que apenas na superfície) é a própria disposição de nossa heroína, ela optou por isso, e não por supostas propriedade mágicas que o lugar ou as pessoas que lá vivem aparentemente possuem. Nessa cidade magnífica a Garota Triste decidiu mudar, ainda que ela ache que foi a cidade que a tenha mudado. Mudou seus hábitos sexuais: os tipos de parceiro(a)s e o tipo de relacionamento. A cidade magnífica impõe (nunca é aos olhos da Garota Triste uma escolha própria) uma vida de hedonismo; e na verdade nossa heroína se orgulha do fato de desde sua mudança para lá não ter se prendido a alguém (mas quando ela se prendeu realmente a alguém?).

Não, não sejamos apressados em julgar nossa heroína. A Garota Triste já se aproximou de alguém, numa dessas cidades anteriores ela pensou ter encontrado o amor. Ela pensou que finalmente tinha começado a entender o que aqueles livros que ela tinha lido, aqueles filmes que ela tinha visto, aquelas músicas que ela tinha escutado queriam dizer. O problema para a Garota Triste é que por mais que ela fosse uma pessoa de extrema inteligência ela nunca entendeu as coisas que ela tinha lido, visto ou escutado; pelo menos não concernente ao amor. Ela nunca percebeu que amor e dor estão por toda a parte, e se misturam na mesma coisa. Nossa heroína então sofreu (como todo herói deve sofrer) e não suportou isso.

Conta-se que numa dessas cidades anteriores a Garota Triste foi responsável por organizar um jantar formal. Como anfitriã nossa heroína tratou de estimular os convidados a se apresentarem. Ela teria dito: “Por favor, falem seus nomes, suas ocupações e suas preferências sexuais”. Não é difícil de imaginar o alvoroço que essa sugestão causou (principalmente se levarmos em conta que isso aconteceu na tal cidade com as pessoas de mentalidade supostamente provinciana), todos imaginaram que isso era uma tentativa de se conhecerem melhor e quem sabe combinarem algum programa pós-jantar formal. Ledo engano, pedir para as pessoas se identificarem desse jeito é na verdade a melhor forma de se estabelecer barreiras, evitar a proximidade excessiva do outro que te incomoda e perturba.

E a respeito de evitar o outro que incomoda e perturba, a Garota Triste se tornaria uma especialista.  Em seu novo trabalho na sua nova cidade magnífica nossa heroína encontrou um amigo. Um amigo que em grande medida a forçava a voltar àqueles velhos valores, aqueles velhos jeitos de se relacionar que ela tinha deixado para trás; aquele passado que ela tanto faz questão de esquecer. Esse amigo era o seu contrário-semelhante; a fazia tanto nutrir sentimentos de afeto quanto a incomodava, pois afinal não tinha ela enterrado seu passado? E com a mesma facilidade com que ela trocou de cidades ao longo da vida ela decidiu descartar essa nova amizade. Afinal ela já tinha confidenciado para seu (agora) ex-amigo que ela tinha empurrado seu passado para dentro de um armário, de forma igual com que pessoas fazem com seus amantes; ela não se deixaria envergonhar pelo passado.

Garota Triste está em fuga em busca de felicidade, mas não percebe que é seu existir que é triste. Será que um dia ela vai perceber que não são mudanças geográficas ou o apagamento de seu passado que trarão a felicidade? Fugir é sempre a saída mais fácil: fugir para o fundo de uma garrafa, para um estado de entorpecimento, para relacionamentos descartáveis, para outras cidades. A cura nunca residirá nesses lugares, sempre dependerá de si. Mas a aventura de nossa heroína ainda não acabou e podemos torcer para que em algum momento ela lembre-se de tais palavras:

“Pressupondo o homem enquanto o homem e seu comportamento com o mundo enquanto um [comportamento] humano, tu só podes trocar amor por amor, confiança por confiança etc. Se tu quiseres fruir da arte, tens de ser uma pessoa artisticamente cultivada; se queres exercer influência sobre os outros humanos, tu tens de ser um humano que atue efetivamente sobre os outros de modo estimulante e encorajador. Cada uma das tuas relações com o homem e com a natureza – tem de ser uma externação determinada de tua vida individual afetiva correspondente ao objeto da tua vontade. Se tu amas sem despertar amor recíproco, isto é, se teu amar, enquanto amar, não produz o amor recíproco, se mediante a tua externação de vida como homem amante não te tornas homem amado, então teu amor é impotente, é uma infelicidade.” (Aquele que não deve ser nomeado.)

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Marxismo segundo Groucho Marx

“Alô…? Serviço de quarto? Manda subir um quarto maior”

“Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros”

“Ele pode parecer um idiota e falar como um idiota, mas não se deixem enganar: ele é realmente um idiota”

“Eu nunca esqueço um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma exceção”

“Do momento em que peguei seu livro até o que larguei, eu não consegui parar de rir. Um dia, eu pretendo lê-lo”

“Você tem o cérebro de um garoto de quatro anos e eu aposto que ele ficou feliz por ser livrar dele”

“Por que eu deveria me importar com a posteridade? O que a posteridade já fez por mim?”

“Justiça militar está para justiça assim como música militar está para música”

“Se eu abraçar você mais forte, eu vou sair do outro lado de você”

“Fui casado por um juiz. Deveria ter pedido um júri também”

“Ou ele morreu ou meu relógio parou”

“Lembram-se rapazes, nós estamos lutando pela honra desta mulher, coisa que ele, provavelmente, nunca fez”

“Por que eu estou com ela? Ela me faz lembrar de você. Na verdade, ela me lembra você mais do que você mesma lembra você!”

“Por trás de cada homem de sucesso há uma mulher, atrás dela está a esposa dele”

“Women should be obscene and not heard.”

“Time wounds all heels.”

“Fora um cachorro, o livro é o melhor amigo do homem. Dentro do cachorro é escuro demais para ler”

“Política é a arte de procurar problemas, encontrá-lo, diagnosticar errado e, então, aplicar todos os remédios errados”

“Idade não é um assunto interessante. Qualquer um pode ficar velho. Tudo que você precisa fazer é viver o bastante”

“Um brinde às nossas esposas e namoradas: espero que elas nunca se encontrem!”

“Mande duas dúzias de rosas para o quarto 424 e escreva “Emily, eu te amo, no verso da conta”

“Eu não gostei da peça, mas eu a vi em condições adversas – a cortina estava levantada”

“Aqui temos um homem com a cabeça aberta – dá até pra sentir a brisa que vem de lá”

“Inteligência militar é uma contradição em termos”

“O segredo do sucesso é a honestidade – se você conseguir evitá-la, terá sucesso garantido!”

“Só há uma forma de saber se um homem é honesto: perguntando-lhe. Se responder «sim», ficamos a saber que é corrupto.”

“Acho a televisão muito educativa. Logo que alguém a liga, vou para outra sala ler um livro.”

“Nunca vou ver filmes em que o peito do herói seja maior do que o da heroína.”

“Não pense mal de mim, menina. O meu interesse por si é puramente sexual.”

“Pretendo viver para sempre, ou morrer tentando.”

“Há tantas coisas na vida mais importantes do que o dinheiro! O problema é serem tão caras!”

http://en.wikipedia.org/wiki/Groucho_Marx

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trovoadas

“Sou um democrata na medida em que amo o sol livre
nos homens
e um aristocrata na medida em que detesto covardes e
pessoas possessivas.

Amo o sol em qualquer homem
quando o vejo entre suas sobrancelhas
luminoso, e sem medo, mesmo se diminuto.

Mas quando vejo estes homens cinzentos e bem-sucedidos
horrorosos e cadavéricos, absolutamente sem sol,
como escravos gordos e bem-sucedidos gingando
mecanicamente,
então sou mais do que radical, quero usar uma guilhotina.

E quando vejo trabalhadores
pálidos e ignóbeis, como insetos, fugindo
e vivendo como piolhos, com pouco dinheiro
e nunca olhando para cima,
então desejo, como Tibério, que a multidão tivesse
somente uma cabeça
para que eu a cortasse.

Sinto que quando as pessoas passam a ser totalmente sem sol
elas não deveriam existir.”

D. H. Lawrence
(Tradução de Mário Alves Coutinho)

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Um Amor Infinito

Tecnicamente isso não é uma poesia, mas foda-se:

Um Amor Infinito
Composição: Pedro Ayres Magalhães

Dizem que
Um Amor Infinito
Já não há
porque não pode ser
um Amor
se Divino
Já não há
Nem há nada a temer
– E eu não acredito…
Não sei como
Eu não acredito…
– E peço para ver
– Eu só peço para ver
ainda peço para ver
Um Amor Infinito,
já não há
é impossível haver
Dizem
que um Amor
Consentido
Já não há
nem se pode entender
– E eu não acredito…,
– Eu não, não, não, não acredito…
– E peço para ver…
-Eu só peço para ver
– Ainda peço para ver
Dizem que
Um Amor Infinito
Já não há
Nem há tempo a perder
Um Amor
Um Princípio
Já não há
Nem há nada a dizer
– E eu não acredito…
Não sei como
Eu não acredito…
– E peço para ver
– Eu só peço para ver
ainda peço para ver

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